Marketing e Política
Data: 06/08/2025 20:59
Poxa vida, já fazia um mês que a Câmara de Aldeias Altas estava em silêncio. Confesso: estava sentindo falta do circo. Que bom que voltou, nada como uma boa sessão da Casa do Povo para nos lembrar que a política local é um espetáculo, às vezes pastelão, às vezes tragicômico, mas bastante entediante. Começamos com o já tradicional sofrimento técnico: se a imagem está boa, o áudio está um caos; se o som funciona, a câmera parece estar sem luz e mostra o breu. É um desafio acompanhar, mas a gente insiste, como quem assiste à última temporada de uma série ruim só porque começou.
Assim que a sessão se iniciou, olhei para a mesa diretora e me veio uma lembrança quase poética: Qual é o oposto de peruca? ‘Des-peruca’. Uma epifania capilar que resume bem o visual, e talvez a essência de alguns ali sentados.
Três vereadores estavam ausentes. Francamente? Entendo perfeitamente. Dependendo da companhia, o melhor lugar é mesmo a ausência. Mas vamos ao enredo do dia: leitura do veto do prefeito sobre a famigerada taxa de iluminação pública. E que leitura, viu? Feita por um vereador que parecia estar descobrindo as palavras pela primeira vez. A entonação era incerta, a pontuação ignorada e o fôlego... inexistente. A cada parágrafo, uma luta pela sobrevivência do verbo. Se fosse prova de alfabetização funcional, teríamos uma crise.
A votação para derrubar o veto? Às cegas. Seis vereadores votaram contra o prefeito, mas somente um teve coragem de levantar a mão em público e afirmar que votou errado. Os outros continuaram heroicos justiceiros das sombras. Batman ficaria orgulhoso. Só faltou a capa e o sinal no céu.
Logo depois, overeador leitor volta as atividades, com fôlego de maratonista asmático, apresentou um requerimento sobre cargos e carreiras. A performance na leitura a mesma que leu o veto anterior e mais uma vez foi tão sofrida que por um instante pensei que fosse uma pegadinha. Mas não, era real. E, claro, aprovado. Porém concordo uma boa ideia de requerimento. Na sequência, a presidente da Casa leu um pedido para encanamento de água num povoado. A autora do requerimento nem se deu ao trabalho de decorar o próprio pedido. Tinha que ler um bilhetinho. Pelo menos poupou o plenário de discursos recheados de bobagens, o que, convenhamos, já é uma vitória. Depois vem ele: o requerimento verbal, também conhecido como "requisição do preguiçoso". Aquela coisa jogada ao vento, sem protocolo, sem papel, sem garantia de que vai sair da boca do vereador para a mesa do Executivo. Sinceramente? Se for levado a sério, é milagre.
Na tribuna Gisele Amorim, nossa vereadora multifacetada, disse ter votado pela redução da taxa de iluminação pública... e no mesmo fôlego reclamou que a zona rural está às escuras. É um paradoxo ambulante. Einstein teria dificuldade em explicar. Daniel do Veí Zé permaneceu firme... no assento. A tribuna? Passou longe. Preferiu reclamar dos buracos nas ruas do conforto da cadeira e com um português tão esburacado quanto o asfalto que critica. Inovador. Luciano, o poliglota da noite, nos presenteou com a pérola "fizera". Um neologismo? Um lapso? Um presente gramatical do além? Não sei. Mas ficou registrado. Encerrada a fala, agradeceu aos presentes. Sinal de que até ele já queria ir embora.
Ivaldo Ximenes também passou pela tribuna para agradecer a derrubada do veto. E, claro, choramingou mais uma vez sobre a iluminação pública, justamente depois de votar para cortar os recursos da mesma. É o famoso “atira no pé e reclama da dor”. E chegamos ao clímax da noite: o espetáculo capilar e retórico de Almeida Adelino. O chat e o plenário estavam hipnotizados pela cabeleira e pela ousadia do discurso. Disse, com ares de profeta, que cortar 40% da arrecadação da iluminação pública vai melhorar os serviços. A mágica da matemática política, meus amigos. Só pode ser isso.
Depois, distribuiu tapinhas nas costas dos colegas edis, porque manter o barco unido é essencial ainda mais quando ele começa a fazer água. No final, soltou farpas ao prefeito e insinuou que o tal G6 não teve coragem de denunciar as contratações da máquina pública. Palavras fortes... ou seriam ensaiadas?
E agora, enquanto termino esta humilde coluna, uma dúvida me persegue: será que na próxima sessão serei premiado com uma menção honrosa? Ou me jogam um requerimento verbal de repúdio?
De qualquer forma, estarei assistindo. De camarote. Com pipoca.
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