A maior operação contra o crime organizado na história do Brasil revelou a dimensão financeira e a sofisticação do Primeiro Comando da Capital (PCC). A “Operação Carbono Oculto”, deflagrada nesta quinta-feira (28), desmantelou um esquema bilionário que usava a cadeia de combustíveis, empresas de tecnologia financeira (fintechs) e fundos de investimento para lavar dinheiro.
O coração financeiro do crime
As investigações mostram que o PCC não se limitava ao setor de combustíveis, atuando em todas as etapas, da importação à distribuição. A facção também estava profundamente infiltrada no mercado financeiro. Eles controlavam cerca de 40 fundos de investimento, com um patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, muitos deles localizados na Avenida Faria Lima, o principal centro financeiro do país.
Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP, avalia que, embora especialistas soubessem da infiltração do PCC em diversos setores, o nível de controle no mercado financeiro e na cadeia de combustíveis é “assustador”. Uma fintech em particular, segundo a Receita Federal, funcionava como um “banco paralelo” para a facção, movimentando R$ 46 bilhões em apenas quatro anos e usando mecanismos complexos para driblar a fiscalização.
Amplo alcance e impacto no Maranhão
O esquema ia além da fraude fiscal. Incluía adulteração de combustíveis, ameaças a agricultores para aquisição de terras e reinvestimento dos lucros em bens de luxo, caminhões, usinas de álcool e até um terminal portuário. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional já conseguiu bloquear R$ 1 bilhão em bens para recuperar os valores desviados.
No Maranhão, apesar de não haver mandados de prisão expedidos, postos de gasolina estão sob investigação por suposta conexão com o esquema. Auditores-fiscais suspeitam que esses estabelecimentos serviram de fachada para a movimentação de recursos ilícitos.